domingo, 25 de novembro de 2018

Aquela noite

Era um longo caminho e na estrada podia-se enxergar ao longe uma pequena luz.
Já passava das 23h e andávamos a mais de 80 km/h, não havia pressa para chegar.
Naquela estrada vivemos muitos anos.
Anos passados, anos futuros.
Encontramos belezas ao longo do caminho.
Era noite de luar.
A lua banhava a pista, as estrelas fazia a companhia, num cenário perfeito.
O seu sorriso era cheio de simplicidade, mas tão sincero.
E de repente na rádio começou a tocar "Home". Aumentei o som no volume máximo, tudo que eu queria era sentir o êxtase daquele paradisíaco momento.
Aí fui surpreendida com um pedido seu.
Você parou o carro naquele breu, desceu e foi até a minha porta, abriu e me estendeu a mão, ainda com o aquele sorriso, me olhou nos olhos e perguntou... dança comigo?
Prontamente aceitei ao seu pedido..
Sinto que o tempo parou naquele momento, onde eu encostei a minha cabeça em seu peito, você me segurava delicadamente pela cintura e eu podia sentir o amor ao nosso encontro.
,De olhos fechados, dançamos até a música acabar, foram os três minutos mais íntimos de toda minha vida. Toda aquele céu estrelado, aquela estrada escura, a lua cheia, a música, eu, você... Tento descrever.
Nesta noite escrevemos parte do nosso passado.

Ainda sonho...

Do cenário "Partes de mim"

I HATE YOU

I had forgotten how unhappy you make me
And your arrogance makes it even worse
Remember the dreams?
Congratulations, you got it.

Now I can dream again...

I loved you as the last person in the world
I tried
I swear I tried
But I got lost

Now I can dream again...

You thought you were so perfect
And I understood their fear
You, you, you....
Don't be silly.

Go, live the dream.

They say, we will not be able to
I would die trying
Love is over
Only the hatred remains.

So let's dream...


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Por o que chorar?

Eu posso sentir, que a cada segundo partes do meu coração estão se endurecendo. Estou matando dentro de mim o que foi plantado, eu não saberia dizer o que foi ou quem foi, apenas sinto. Mas de tempo em tempos, nasço e morro. 
Eu sempre terei algo de bom em mim, eu sei. Mas já não me incomoda saber que a outra parte também sempre será ruim e até incontrolável. Sou formada de amor e ódio, de céu e inferno, de tudo e de todos.
Encontro coisas, perco coisas, algumas eu nem me lembro e outra, nossa... que saudade. 
Adoro fotografias, elas me trazem o frisson dos momentos de tal jeito que posso reencontrá-los. Mas elas me agonizam, pois é tudo tão clean. Sinto falta da beleza das tristezas, pois não pode ser apreciadas nos registros.
Descobri o devido valor da dor, elas que me fazem grande. Em remota possibilidade me sinto forte em não conseguir ser aquela que um dia fui. Já fui durona, extravagante, recatada, sensível, frágil, ignorante, prepotente, bem humorada, ótima companhia ou não...
Já me esforcei, já me dediquei, já falei as verdades do meu coração, mas não era o momento.
Já menti, já toquei o foda-se, mas também não era o momento.
E a regra é estar numa busca constante de crescer e se curar.

Haverá um dia a estabilidade de todo esse mix?

No budismo gera a consciência de que nada é permanente que tudo está em constante transformação, ideia que tenho fé.

Horas sou melhor do que era, horas pior, tudo isso pela bagagem e calor do momento. E não é que nunca mais irei chorar, só que agora eu analiso se vale a pena. É difícil montar essa máquina que é identificada como vida, mas é possível olhar para o passado e ver grande parte desse feito, por isso concluo, ter qualidades é maravilhoso, mas ter defeito é a outra metade para completar o trabalho.

Do cenário "Partes de mim"




sexta-feira, 31 de agosto de 2018

"Manutomático"

"O universo não está punindo ou abençoando você. O universo está respondendo à atitude vibracional que você está emitindo." (frase do dia)

Eu soo como música em cada marca do meu tempo, existem notas, aí a oportunidade de rever o passado.
Eu mudei, vou mudar.
Retrocedo e ainda assim, evoluo.
Num estalar dos dedos, a vida me traz situações inimagináveis, vezes confortáveis, nostálgicas, vezes, frias, doídas... sem interrogações.

São tantas portas, tantas canções, tantas idas e vindas e reviravoltas. Um dia que muda todos os outros e quase sempre começa com uma confusão. Permito o incômodo me levar a lugares, por hora encontro o meu conforto e logo mais até a próxima.

Adoro todas as estações, em todas há magia, poesia, céu e escuridão, não poderia eu escolher.

Gerei no interior meus conflitos, limitantes e assustadores, os deixei em um conveniente espaço. Estão acumulando ao longo dos anos. É eu sei, um dia não haverá mais espaço e aí uma explosão, momento de se reorganizar.

Recentemente eclodiu dentro de mim um desejo de me reinventar, me construindo todos os dias, afinal, esse é o meu show.

Do cenário "Partes de mim"


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Morte

O nascer é encantador, traz sensações com inúmeros sentimentos.
Quando nasce um novo bebê.
Quando nasce um novo amor.
Quando nasce a oportunidade de uma nova experiência.
Quando nasce um novo dia. E assim é com tudo que é novo.
Tudo que nasce tem seu poder.
Poder de transcender, de reluzir, de criar, de evoluir, de modificar, de transformar...

O comportamento do corpo em resposta aos momentos da vida é de suma importância para que permitamos a evolução como um todo.

Refletindo esta manhã e baseada na minha tão jovem vida, com experiências tão diversas e tão pequeninas, eu diria um grão de areia na vastidão do título "saber", como nós reagimos ao nascer e morrer.
Tive algumas duras perdas em meu "grãozinho de areia".
A primeira delas foi o adeus ao meu Tio/Amigo/Pai Valdemar, eu o amava verdadeiramente. Ele é parte do que me formei em minha fase de criança e adolescente. Lembro-me de seus conselhos e do amor que me doava todos os dias juntos. O que mais me envaidece é saber que ele me tornará a sua pequena e assim foi até o seu último dia de vida.
A segunda, uma perda diferente, algo inexplicável, a perda da minha melhor Amiga/Confidente/Parceira/MÃE, é difícil até completar qualquer pensamento no que se refere a minha Vera. Minha mãe era tudo em mim, tudo o que eu sou. Me formei menina, moça, mulher com toda a sua dedicação diária e hoje posso me orgulhar da minha ascendência.

E como houve perdas, houve também novas vidas.
Novos amores.
Novos amigos.
Novas idéias.
Novas famílias...

Experimentei relacionamentos amorosos, vezes complexos, porém enriquecedores. Cheios de energias, desejos, frustrações, ansiedade. Aos amigos, risadas incontidas, lágrimas, afagos, desabafos, irmandade, desavenças, amigo é o bem necessário na vida de qualquer ser humano.
Família, aos meus, meu ontem hoje e amanhã, meu eu, meu ser, meu tudo. Às família agregadas, aprendizados, lições, desentendimentos, carinho... aprendo dia após dia as idas e vindas neste contexto.

Concluo o quão incrível é em relações, sejam ela de qualquer natureza, apontamos, lembramos o desaprovável, o ruim. E noto assim a visão dos seres em relação a vida. Sempre nos queixando do que não temos.
E quando a morte vem visitar, só há saudades e ao lembramos, não precisamos sequer nos esforçar para aquilo que foi bom.
Na morte, a raiva se torna vã.

E tudo o que estou mudando é esta visão errônea de valorizar mais na morte e agredir mais na vida.
Acredito que morremos um pouco a cada dia para sabermos viver melhor no outro.

Do cenário "Partes de mim".

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Palavras são janelas (Ou são paredes)

Sinto-me tão condenada por suas palavras,
Tão julgada e dispensada.
Antes de ir, preciso saber:
Foi isso que você quis dizer?
Antes que eu me levante em minha defesa,
Antes que eu fale com mágoa ou medo,
Antes que eu erga aquela muralha de palavras,
Responda: eu realmente ouvi isso?
Palavras são janelas ou são paredes.
Elas nos condenam ou nos libertam.
Quando eu falar e quando eu ouvir,
Que a luz do amor brilhe através de mim.
Há coisas que preciso dizer,
Coisas que significam muito para mim.
Se minhas palavras não forem claras, 
Você me ajudará a me libertar?
Se pareci menosprezar você,
Se você sentiu que não me importei,
Tente escutar por entre as minhas palavras
Os sentimentos que compartilhamos.

Ruth Berermeyer.


- Aí está, primeiro dia do mês de Agosto de 2018 e eu finalizo a minha noite com este INENARRÁVEL, IMENSURÁVEL poema. Me foi apresentado através do livro de título cativante "Comunicação não-violenta" do autor Marshall B. Rosenberg. Presente da minha amada primogênita irmã Jackeline S. 
Refletir não é tarefa fácil e praticar o que ela traz é ainda mais complexo, mas... é um produto que vale a pena investir. Ajuda amadurecer, florescer. Torna própria a consciência de si.
Posso fechar os meus olhos e encontrar com a autora Ruth, que em estado pleno pôde dar o melhor de suas experiências dentro deste poema, e posso afirmar ser um ato sublime de amor e auto-conhecimento. 
Olho o meu passado, cobrando e aprisionada à ele me torno, cada vez que recuso a aceitar que estou em constante aprendizado.
Estou afrouxando as rédeas e me permitindo. 
O erro é o início do acerto.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Monólogo meu

--Eu posso?
-Eu fui?
--Eu quis?
-Eu tenho?
--Eu sou?
-Eu espero?
--Eu quero?
-Eu recusei?
--Eu vou?
-Eu permaneço?
--Eu aguento?
-Eu faço?
--Eu consigo?
-Eu marquei?
--Eu, feliz?
-Eu sorri?
--Eu, nada?
-Eu cansei?
--Eu influencio?
-Eu machuco?
--Eu sei?
-Eu moro?
--Eu chorei?
-Eu canto?
--Eu dancei?

-Eu?
--Eu te amo?